
Enquanto boa parte da cidade dormia, mesmo quando a forte e anunciada instabilidade se abatia sobre Sant´Ana do Livramento, parte dos moradores da região do bairro Armour não conseguiu ter esse mesmo privilégio durante a madrugada de quinta-feira. Um problema já anunciado para as autoridades, mas, ainda sem solução, de acordo com os moradores tem se agravado cada vez que chove. O temporal que castigou a cidade na madrugada de quinta-feira, foi de pânico, pavor e perdas para quem reside em parte da rua Lourenço Serafim Amestoy.

“Comprei a minha casa a aproximadamente três anos e após algumas construções recentes que foram feitas no bairro, a cada época de chuva alaga tudo por que não tem escoamento. Além disso, as ruas também não conseguem escoar toda a água e as casas alagam. Os vizinhos tiveram que fechar as portas da frente a abrir nas laterais para tentar evitar o agravamento do problema, mas, ainda assim, a situação só piora. Com as chuvas dessa noite (04), estouraram os dois muros e minha casa alagou inteira. Meu prejuízo é grande. Máquina de lavar, geladeira, muro que caiu, além do portão eletrônico que também queimou”, disse Alex Martins Antunes.

A professora Marli Andrade, ainda em meio à limpeza que estava fazendo na casa, não escondia a indignação ao ver móveis e utensílios completamente perdidos. “É uma situação triste e assustadora. Acordar no meio da madrugada com a água praticamente na altura dos joelhos foi traumatizante até pelas crianças. Tenho uma menina de 04 anos que precisou ficar sentada na cama enquanto íamos de um lado para o outro sem saber o que fazer. Minha outra filha de 15 anos me auxiliando até que os vizinhos vieram nos dar o apoio, foi muito complicado. Era água para todo o lado. Essa água toda veio da parte mais alta do bairro. Descobrimos que dois vizinhos fizeram muros de contenção e aí essa água ficou impedida de entrar nos córregos. Não pediram auxílio nem ajuda de outros moradores e acabaram prejudicando não apenas a mim, mas outros vizinhos aqui da rua que perderam móveis e utensílios”, relatou. A moradora disse ainda que moradores da região já haviam reportado o problema para a Secretaria Municipal de Obras, mas, a situação não foi resolvida e, enquanto isso, a cada nova enxurrada, os prejuízos se acumulam.
A moradora Andréia Saldanha, recebeu a reportagem da Lince Comunicação enquanto ainda tentava limpar um sofá adquirido a menos de três meses. Segundo ela, um sonho antigo e que agora já está danificado. “Cada vez que chove a gente não dorme bem porque ficamos preocupados com a possibilidade de a água invadir a nossa casa. Durante a madrugada quando levantamos até nossos calçados e roupas de trabalho estavam boiando dentro de casa, sem contar os utensílios leves. Entrou grama, barro e muita sujeira. Eu já fiz contato com vereadores e com a secretaria de Obras e tenho tentado com outras fontes, mas, ninguém resolve. Todo mundo chega, dá uma olhada e diz que não tem o que fazer e não nos dão solução. Dia de chuva ficamos nessa preocupação. O muro mesmo gastamos duas vezes já reconstruindo e é horrível até para sair. Minha casa tem barro em todas as peças”, desabafou a moradora.
Contraponto
Enquanto a solução não vem, os moradores contabilizam os prejuízos e torcem para que uma resposta definitiva seja dada antes que novos episódios ocorram. Procurado pela reportagem, o secretário de Obras de Sant´Ana do Livramento, Dilmar Pereira, disse que equipes da pasta estiveram no local para avaliar a situação. De acordo com ele, os servidores constataram que em uma obra recente foi feito um barramento no fundo de uma residência e trancou o córrego o que acabou invadindo as residências e derrubou os muros. A partir dessa constatação, provavelmente, a Secretaria de Planejamento irá vistoriar o local e tomar as providências. Nesse momento aguardamos que o Planejamento nos passe o relato do que precisará ser feito para que possamos encaminhar as medidas necessárias”, esclareceu o secretário.









