
Desde o final de 2023 e já neste começo de 2024, um fato em comum chamou a atenção de moradores de pelo menos duas localidades em Sant´Ana do Livramento: Parque dos Ipês e Hidráulica. O que esses dois pontos distantes um do outro tem a ver um com o outro? As garças.
Há quase uma década, as garças escolheram as árvores do complexo do DAE – Departamento de Água e Esgotos de Sant´Ana do Livramento, para descansar, reproduzir e se alimentar. Todos os anos, a polêmica em torno da presença das aves no local promoveu debates, polêmicas, além da presença de profissionais de diversas áreas que tentaram entender as razões pelas quais os animais escolheram aquele local pelo menos na época mais quente do ano.
Mas, ao contrário dos anos anteriores, os moradores da região da Hidráulica neste ano não tiveram motivos para reclamar do mau cheiro e da quantidade de dejetos deixados no local pelas garças. Tudo por que elas simplesmente resolveram ocupar uma nova área às margens da BR 158, mais precisamente no Parque dos Ipês. O local, uma área fechada e com alimento farto, atendeu aos anseios das milhares de garças que todos os dias acordam os moradores com barulho e preenchem as residências com o odor que é deixado pela sua presença.
Para o Biólogo do DEMA – Departamento do Meio Ambiente de Sant´Ana do Livramento, a explicação para a migração das aves está diretamente relacionada com a escassez de alimentos. “A grande quantidade de aves que todos os anos ocuparam espaços no DAE, além de deixar rastros no solo e o odor, também deixam resíduo nas folhas em quantidade tanta que acaba por criar uma espécie de película. Assim, elas não conseguem se alimentar e acabam procurando naturalmente outras áreas. E foi exatamente isso que aconteceu neste ano com as garças em Livramento”, explicou ele.
Mesmo assim, os biólogos do DEMA foram até o local para realizar vistorias em função das notícias de mortandade entre os animais, especialmente os mais novos. Relatos dos moradores chegaram até o departamento e davam conta da incidência que poderia ser considerada fora do normal. A área, completamente fechada, dificultou o acesso dos profissionais ao seu interior, mas, ainda assim, foi possível realizar a vistoria.
O mesmo trabalho foi feito ao longo da semana por profissionais da Inspetoria Veterinária em Sant´Ana do Livramento para verificar se além do estado de saúde dos animais, havia a ocorrência de fatores diferenciados que provocassem a necessidade de uma análise mais profunda e laboratorial. Segundo a coordenadora da Inspetoria, Karen Arévalo, nada de anormal foi constatado e a explicação para a ocupação do novo espaço pelas garças está de acordo com a explicação dada pelos biólogos do DEMA. “Estivemos duas vezes no local para fazer a análise necessária. Claro, o odor é forte e a quantidade de dejetos deixados pelas aves é basicamente a mesma que sempre foi observada no DAE. Quanto a quantidade de aves avistadas no solo, basicamente são filhotes que ainda tem dificuldades para caminhar em função do tempo de vida, mas, nenhum indício de que não estejam saudáveis”, frisou.
Já os moradores agora enfrentam o mesmo problema que durante um longo período foi vivenciado por quem reside nas adjacências do DAE. O cheiro forte, o barulho excessivo e a grande quantidade de fezes que são depositadas pelos animais. Além disso, ainda de acordo com os moradores, o terreno escolhido pelas garças oferece também perigo já que é uma área bastante fechada e próxima das residências e que, apesar de ser uma área privada, tem sido usada com frequência por usuários de entorpecentes, o que coloca em risco a segurança de quem reside na localidade.





