
A chegada das festividades de fim de ano, um período tipicamente associado a celebrações, intensifica a demanda por serviços de saúde mental em Sant’Ana do Livramento. Segundo a Coordenadora em Saúde Mental em Sant´Ana do Livramento, Iana Cristina Hass, há um aumento perceptível na procura por atendimento e na frequência de crises entre os usuários.
De acordo com Hass, tanto o CAPS AD (Álcool e outras Drogas) quanto o CAPS I, voltado para transtornos mentais, registram um crescimento no número de crises de ansiedade, quadros depressivos e crises de abstinência nesta época do ano. “São datas que mexem com o nosso emocional”, afirma a coordenadora.
Ela explica que fatores como a lembrança de familiares ausentes, as pressões sociais e a associação das festas com o consumo de bebidas alcoólicas contribuem para a vulnerabilidade dos pacientes. “O Natal, principalmente, e as festividades de final de ano, com o envolvimento com muita gente, que assimila com consumo de bebida alcoólica, enfim, os guris aqui (nos Caps) se preparam mais para essa época”, relata.
A coordenadora destaca que os profissionais dos centros de atenção já se preparam para este período, intensificando a atenção aos sinais apresentados pelos pacientes, que tendem a ter “crises mais recorrentes”.
Aumento gradativo
A demanda nos serviços de saúde mental tem apresentado um crescimento contínuo no município. “A gente percebe um aumento gradativo, infelizmente, de entrada de usuários tanto no CAPS AD quanto no CAPS I”, lamenta Hass.
Atualmente, o CAPS I está próximo de atingir a marca de 4.000 usuários cadastrados. A coordenadora aponta um aumento de transtorno de ansiedade e transtorno depressivo bem importante, além do aumento de tentativas de suicídio no município.
Já o CAPS AD conta com 2.000 cadastros. Iana Hass ressalta a interligação entre os diferentes transtornos, explicando que, muitas vezes, o quadro depressivo pode levar ao consumo de álcool e outras substâncias.
As causas para o adoecimento mental, segundo ela, são diversas e incluem questões familiares, laborais, como chefes tóxicos e jornadas exaustivas, que podem desencadear estresse, depressão e ansiedade. “Nós vivemos uma sociedade bastante adoecida nessas questões”, conclui a coordenadora, informando que a equipe já planeja as ações preventivas para o próximo ano.




