CRISE NO CAMPO

Com chuvas, município acumula perdas já chegam a R$ 180 milhões de reais, de acordo com dados da Emater

Soja, arroz, mel, leite e outras áreas acumulam perdas e entidades de classe seguem lutando pela Decretação do Estado de Emergência

Foto: Cleizer Maciel/Lince Comunicação

A não decretação do chamado Estado de Emergência em Sant´Ana do Livramento tem mobilizado entidades especialmente ligadas ao setor do agro negócio liderados pelo Sindicato e Associação Rural da cidade. Na manhã desta quarta-feira, durante coletiva de imprensa, o presidente da entidade, Luís Carlos D’Áurea falou sobre a situação atual do município e que o sindicato, faz parte do COMDER – Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, teve acesso ao documento apresentado com números que, de acordo com ele, são precisos e com margem de erro que não chega a 2%. “Por exemplo, os dados que nos chegam da Cortibá dão conta de que dos 80 mil hectares que foram plantados, 40 mil foram perdidos. O arroz colheu cerca de 90%, porém, esses 10 % que não foram colhidos estão perdidos em baixo da água. Leite, mel, fim, todos os dados foram pedidos e chegamos a um valor astronômico da ordem de mais de R$ 180 milhões de reais no setor primário”, disse o presidente.

No laudo preparado pela Emater e lido durante a coletiva, o setor social também teve cálculos mensurados e dão conta de que crianças da zona rural estão a cerca de três semanas em aula nas escolas por que não é possível chegar com veículos. “Também temos uma estatística de que nos últimos 50 anos a média de chuva no município foi de 1500 mm de chuva, o que foi detectado apenas nos últimos 07 meses. Todos esses valores foram acoplados e entregues à prefeitura, mas o parecer para a decretação do Estado de Emergência foi negado, de acordo com o prefeito em exercício”, salientou D’Áurea.

Diante da situação, o presidente do Sindicato e Associação Rural, existem produtores que estão em situação de desespero e alguns correm risco de ir à falência por não poder postergar suas dívidas ou colocar os custeios e investimentos por que o município também não está sob decreto de emergência.

Bancos

Luís Carlos D’Áurea disse que a entidade já conversou com alguns bancos (regional do Banco do Brasil), Sicredi e Banrisul, e que estes estão fazendo negociações com os produtores que estão em Livramento e que tem área em Rosário do Sul, Quaraí, Dom Pedrito, por que esses municípios estão em situação de emergência. “Visto isso, não estamos procurando aqui culpados. Precisamos de solução para essa situação e por isso procuramos o jurídico. Falamos com o presidente da Subseção da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil em Livramento, Glênio Lopes, que se prontificou a nos ajudar, seja de maneira individual, ou a encontrar um denominador comum para o quadro atual. Graças a Deus não temos calamidade pública, mas, temos perdas milionárias no campo”, disse o presidente.

Ainda durante a coletiva, entre as soluções que estão sendo buscas está o pedido feito junto a Farsul que poderá resultar, a depender de cada caso, em negociações específicas. “Agora, precisamos que parta do município um pedido para que possamos, com base em dados oficiais, conseguir achar uma alternativa”, esclareceu.

 

OAB

O presidente da OAB, Glênio Lopes, disse que a entidade está ao lado dos produtores por entender que essa não é apenas uma causa da classe, mas de toda a comunidade. “Embora não tenhamos tido alagamentos aqui na cidade, todos os setores perderem e precisamos juntos encontrar soluções para enfrentar esse desafio. Estamos aqui para prestar todo o apoio necessário para o Sindicato Rural e para que consigamos chegar ao objetivo que é reverter essa difícil situação. Estamos prestando total apoio e vamos fazer sim o que for possível. Não estamos aqui para achar culpados e sim buscar solução e essa só virá com apoio de todas as entidades de classe em Sant´Ana do Livramento”, afirmou.

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