
O custo da cesta básica em Sant’Ana do Livramento (RS) registrou uma leve queda de 0,27% em setembro de 2025, mas ainda compromete 46,73% do salário mínimo de um trabalhador. É o que aponta o mais recente “Relatório do Índice da Cesta Básica”, elaborado pelo curso de Ciências Econômicas da Unipampa, campus do município.
O valor total dos treze produtos essenciais ficou em R$ 709,37, ante R$ 711,31 em agosto. Apesar da pequena redução, o impacto no orçamento familiar permanece significativo.
Para adquirir a cesta, o trabalhador da cidade fronteiriça, que recebe um salário mínimo de R$ 1.518,00, precisou trabalhar 103 horas e 48 minutos em setembro. O tempo de dedicação é ligeiramente superior ao de Porto Alegre, onde a mesma compra exigiu 117 horas e 36 minutos no período.
O relatório destaca que, para a manutenção de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 7.075,83, valor 4,66 vezes superior ao piso nacional vigente, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) para setembro.

Variação de preços
A queda no índice geral foi puxada principalmente pelo tomate, que ficou 11,43% mais barato. Outros itens que registraram recuo foram o arroz (-5,18%), o feijão (-3,88%) e o leite (-2,27%).
Na contramão, o óleo de soja foi o produto que mais encareceu, com alta de 7,00%, um comportamento que, segundo o estudo, acompanha uma tendência nacional devido ao aumento da demanda para a produção de biodiesel. Farinha (4,75%), café (2,77%) e carne (2,53%) também registraram aumento.
A carne bovina continua a ser o item de maior peso no orçamento, representando sozinha 40% do custo total da cesta. Em seguida, aparecem o pão e a banana, ambos com 10% de participação.
Análise dos últimos 12 meses
No acumulado dos últimos 12 meses, de setembro de 2024 a setembro de 2025, a cesta básica em Sant’Ana do Livramento acumula uma alta de 2,84%.
Neste período, o grande vilão da inflação dos alimentos foi o café, com um aumento de 71,52%. O óleo de soja (24,79%) e a carne (14,85%) também tiveram altas expressivas. Por outro lado, as maiores reduções foram observadas na batata (-41,58%), no feijão (-36,95%) e no arroz (-26,11%).
O projeto de cálculo do índice na cidade é realizado mensalmente, com coleta de preços em nove supermercados durante a última semana de cada mês, seguindo a metodologia do DIEESE.
Fonte: https://cursos.unipampa.edu.br/cursos/cienciaseconomicas/custo-da-cesta-basica/




