
A sala de terapia do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I) de Sant’Ana do Livramento transformou-se em uma grande tela nesta semana. Nela, pacientes da unidade participaram de uma oficina de arteterapia que trocou os pincéis pelos pés, em uma atividade sensorial que busca estimular a criatividade, a motricidade e o bem-estar.
A iniciativa, inserida na campanha Janeiro Branco de prevenção à saúde mental, foi conduzida pela redutora de danos Priscila e pela assistente social Carmem. Em um longo corredor de papel no chão, os participantes, sentados em cadeiras, primeiro derramaram tintas coloridas e, em seguida, foram convidados a sentir as texturas e misturar as cores com os pés descalços.
“É um trabalho sensorial, artístico e de motricidade”, explicou Priscila. Segundo ela, a atividade faz parte de um dos quatro grupos terapêuticos oferecidos pela unidade, que incluem também artesanato, saúde e educação. O objetivo é oferecer um tratamento individualizado que vá além da medicação. “A importância desses grupos é que os pacientes se desenvolvam para que tenham um convívio em sociedade da melhor forma possível, com toda a assistência psicológica e social”, afirmou.
Atualmente, o CAPS I atende 42 pacientes, dos quais 13 estão em regime intensivo, permanecendo na unidade durante todo o dia. As atividades terapêuticas são planejadas por uma equipe multidisciplinar que avalia a evolução de cada caso em reuniões semanais.
Durante a oficina, a experiência despertou diferentes reações. Uma das participantes lembrou-se de quando era criança e pintava guardanapos com os filhos. Para a assistente social Carmem, esse resgate de memórias e a redescoberta de habilidades são fundamentais no processo de tratamento.
“A nossa proposta é fazer com que aquele tratamento que era convencional, apenas com remédios, saia desse momento e se transforme, valorizando e humanizando o paciente. Nosso objetivo é que a autoestima deles se valorize e que eles vejam que são capazes”, destacou Carmem.
Os trabalhos artísticos produzidos nas oficinas, como peças de couro, artesanato com palitos e pinturas em tecido, ficam expostos na unidade. Segundo as profissionais, a ideia é que as obras também sejam levadas para casa, como forma de compartilhar a experiência e o progresso com os familiares, que a equipe busca integrar cada vez mais no processo terapêutico.





