
“Não fomos provocados por nenhum parlamentar para que tomássemos alguma atitude com relação ao fato. Que conste, que a mesa diretora da Câmara Municipal de Vereadores, antes de tomar qualquer atitude e encaminhar possível denúncia à Comissão de Ética da casa, precisa ser acionada pelos vereadores. Até o momento, não recebemos nenhum pedido ou manifestação nesse sentido”. A frase foi dita na manhã desta quarta-feira pelo presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Aquiles Pires, quando questionado sobre o “silêncio” do legislativo a respeito da manifestação feita na tribuna da casa durante a fala do vereador Enrique Civeira, que comparou o cérebro da prefeita Ana Tarouco a um caroço de azeitona.
O episódio, com repercussão em diversas cidades do Estado, além de outras unidades da Federação, segue tendo repercussões agora com a recente fala do ministro Onyx Lorenzoni que e o Deputado Erick Lins que, em outros termos, lamentaram o episódio e saíram e defesa da prefeita de Sant´Ana do Livramento.
Passados quase sete dias desde a manifestação na tribuna, a Lince questionou o legislativo sobre as razões do silêncio diante do fato e quais razões teriam levado a casa a não adotar posicionamento. Para Aquiles Pires, presidente do legislativo, o não posicionamento da mesa diretora não exclui a gravidade do fato que ainda deverá ser apurado e acompanhado pelos pares. “É preciso reiterar que a mesa diretora não pode ser posicionar sem que haja a provocação, a denúncia oferecida por qualquer um dos demais vereadores. Estamos sendo cobrados por isso e quero crer que ainda deverá ocorrer tal manifestação. Até, vamos aguardar com cautela e garantir o direito à ampla defesa dos envolvidos no caso”, afirmou Aquiles Pires.
Com a palavra, o líder do governo na Câmara
Já o líder do governo na Câmara, Vereador Maurício Gallo Del Fabro, disse que o fato totalmente atípico mas, vindo do colega vereador parece ter se tornado rotineiro. “Esse episódio ficou famoso, não poderia ser diferente, em uma manchete totalmente negativa em uma manchete nacional”, disse. O Vereador Gallo disse que, como líder do governo, não tomou nenhuma atitude até agora por que a Prefeita estava fora do município e ambos ainda não mantiveram conversa sobre o fato. “Estou esperando sim para falar com a Prefeita para saber qual a orientação. Como líder estou à disposição para tomar qualquer iniciativa que seja a partir do momento que ela me der o seu ok e me direcionar de que maneira será feito”, afirmou ele. Questionado se independente da orientação que possa vir do executivo se o mesmo, como vereador pretende fazer qualquer manifestação formal na casa, Maurício Gallo Del Fabro disse que na verdade quem foi ofendido pessoalmente foi a Prefeita e quem sofre com essas situações é a comunidade. “Estamos cheios de problemas para resolver na cidade na parte da saúde, infraestrutura e mais recentemente, na questão da nova rodoviária em local inadequado e inexplorável. Diante disso estou aguardando as inciativas a partir da orientação da prefeita. Sou fiel sim, sou líder de governo e nesse momento preciso ter essa primeira conversa que não tive desde o episódio. Vamos aguardar até sexta-feira para sabermos o que fazer”, afirmou.
Para a prefeita, o silêncio é injustificável
Igualmente procurada para falar sobre o silêncio até aqui adotado pela Câmara Municipal de Vereadores, a Prefeita Ana Tarouco disse que avalia o silêncio com lamento. “Vejo com tristeza, o que não deveria. Penso que o que aconteceu comigo, e que pode ser com qualquer outra pessoa, deveria nos causar repugnância e ser suficiente para ter manifestações muito antes. Isso deveria ter de nós uma resposta enquanto pessoas e bem e que querem uma sociedade mais evoluída onde esse tipo de agressão não aconteça. Vejo com tristeza por que não tem nada ver com partido ou com alcance e profissões. Tem sim a ver com uma agressão direcionada de um profissional no exercício da sua profissão encaminhada a outro profissional que transcende. É uma agressão de gênero que deveria ser por “todos” combatida. Deveria ser por todos os que tem boca e voz se manifestar dizendo que não compactua com esse tipo de postura. É muito pior do que a agressão o silêncio que compactua, que consente como diz o ditado de quem cala. Então penso e vejo com tristeza. Para alguns isso era esperado por alguns interesses suplantam até mesmo o bom senso diante daquilo que deveria nos unir, no caso uma agressão gratuita, desnecessária, desmedida e incabível nos dias atuais. Infelizmente ainda passamos por esse processo”, afirmou a Prefeita.
Questionada sobre qual medida será adotada diante do fato, Ana Tarouco disse que chegou na cidade já envolvida em outras pautas e não teve tempo de pensar especificamente sobre o fato. “Entre uma agenda e outra estou tentando me apoderar do que aconteceu mas isso ainda não está definido”, disse a Prefeita ao dizer que o ato em si mereceria uma manifestação de pessoa para pessoa. “Até ouvi algumas manifestações ao longo dessa semana na forma de justificativas que não cabem nem para o que foi dito muito menos para o que foi silenciado. As razões do silêncio não tem justificativa. Isso é lamentável”, frisou.
Pedido de desculpas, haverá?
A reportagem da Lince Comunicação também fez contato com o vereador Enrique Civeira para saber se o mesmo pretende realizar qualquer manifestação diferente ou até mesmo um pedido de desculpas à Prefeita Ana Tarouco e a secretária da Fazenda Gisela Alvarez sobre sua fala na tribuna ao comparar o cérebro de ambas a um caroço de azeitona.
Ao ser questionado sobre o fato, se estaria arrependido ou se pediria desculpas, Civeira disse que sua manifestação não foi sexista. “Minha manifestação não foi direcionada às mulheres, mas sim a duas gestoras. Uma a senhora Prefeita e a outra a senhora Secretária da Fazenda. Eu tenho o maior respeito pelas mulheres e acredito que elas precisam ter um espaço maior na política. Defendo a luta das mulheres e reafirmo que não foi uma manifestação de gênero. Foi sim uma manifestação “chula”, mas popular. Quando se fala do tamanho do caroço de uma azeitona não me refiro a mulher, mas como gestora pública pro que tanto ela quanto a secretária da fazenda não dá para pensar de outra forma por que entendo que elas pensam muito pequeno, para mim, quem pensa pequeno é por que tem uma cabeça pequena. Entendo que ela, ao ir à capital do Estado, fez desse fato uma cortina de fumaça para a péssima gestão desse governo que está em Sant´Ana do Livramento.
Perguntado se faria um pedido de desculpas, Enrique Civeira foi taxativo ao afirmar que não. “Não penso em pedir desculpas por que considero que não foi ofensa à Prefeita e, levando em conta que ela já se manifestou em relação a mim dizendo que sou acéfalo, eu disse que eles tem um cérebro pequeno, mas eles dizem que não tenho cérebro. Cabe lembrar que já nos chamaram, a mim e outros vereadores, de acéfalos, esclerosados, mentirosos, incompetentes e de lixo. Usaram esse termo “lixo” com relação a vereadora Eva e a vereadora Maria Helena, e não houve pedido de desculpas. Assim, classifico que é um governo que não tem moral nenhuma para fazer esse tipo de manifestação por que para exigir respeito antes é preciso se dar o respeito. Eu não vou fazer qualquer manifestação nesse sentido por que acredito que as minhas palavras não foram ofensivas. Ela sim armou um circo acompanhado por uma parte da mídia, especialmente da mídia estadual que tem interesse agora no período eleitoral. Vejo manifestações do Ministro Onyx que não tem moral alguma para falar sobre isso por que já fez acordo judicial pagando R$ 190 mil reais para arquivar um processo depois de receber recurso de forma irregular. Então, não tem moral para fazer manifestação contra mim. Eu respeito as mulheres. Tenho uma filha mulher, sou casado com uma mulher. Cuidei da minha mãe até o último momento de sua vida diferente de outros que tem vergonha das mães. Não fiz manifestação alguma para qualquer gênero que seja muito menos ofendendo as mulheres até por que sou o vereador que mais projetos voltados às mulheres. Desculpas não penso em pedir, Não por vaidade, mas simplesmente por que eu fui ofendido e minhas colegas vereadores de uma forma muito mais violenta e a Prefeita sequer foi se desculpar”, afirmou Enrique Civeira ao dizer que a prefeita se vitimiza em vez de governar.
Enrique Civeira disse ainda que não tem medo de processos. “Respondo todos de cabeça erguida e reitero que não tenho que pedir desculpas nem para ela e nem para ninguém. Ela pode ser uma ótima delegada e a secretária da fazenda pode ter sido uma ótima auditora do Tribunal de Contas, mas como gestoras elas tem conhecimento muito limitado e muito pequeno. Minha fala foi nesse sentido”, finalizou.





