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Banco Vermelho na fronteira Brasil-Uruguai simboliza luta contra feminicídio

Iniciativa em Sant'Ana do Livramento e Rivera busca conscientizar sobre violência de gênero e homenagear vítimas

Um banco de praça, pintado de vermelho e intencionalmente mantido vazio, foi inaugurado no Parque Internacional, na fronteira entre Sant’Ana do Livramento e Rivera. A cerimônia, que reuniu autoridades dos dois países, marcou a instalação de um símbolo da campanha internacional de combate ao feminicídio e à violência contra a mulher.

A iniciativa foi liderada pela Prefeitura de Sant’ana do Livramento, por meio da Coordenadoria da Mulher, Juventude, Diversidade e Igualdade Racial (CMJDID). O banco, agora um marco na praça que une as duas cidades, carrega a mensagem: “Lutamos pelo fim da violência. Sentar, refletir, levantar e agir. Ligue 180 – Denuncie e rompa este ciclo”.

Durante o protocolo, a mestre de cerimônias explicou o significado da peça. “Este banco, pintado de vermelho e propositalmente vazio, representa todas as mulheres que perderam suas vidas para a violência. Ele não é apenas uma peça urbana, ele é memória, é denúncia, é alerta”, afirmou.

A juíza de direito Thaís de Prá, que atua na Vara Criminal da comarca, ressaltou o impacto diário da violência. “Como juíza da Vara Criminal, que tem a competência de violência doméstica, eu vejo diariamente o efeito devastador que a violência de gênero tem na vida de inúmeras mulheres”, disse. Para ela, a inauguração representa a força da ação conjunta. “O banco hoje representa uma mobilização social na tentativa de prevenção desses crimes e no fomento ao combate. Aqui na Fronteira da Paz, há uma rede de proteção forte e a sociedade pode contar que os agressores serão cientes que seus atos serão punidos com o rigor da lei”, complementou a magistrada.

A prefeita de Sant’Ana do Livramento, Ana Luísa Tarouco, destacou que o banco representa um “ato de resistência” e um convite à reflexão individual e coletiva. “Que cada um que passar aqui dedique 15 segundos olhando para este banco e refletindo sobre o seu comportamento individual na sociedade diante da violência contra a mulher”, disse a prefeita. Ela ressaltou que a luta é diária e que a sociedade precisa se unir para combater um problema que silencia e mata mulheres.

Presente no evento, Denise Argemi, coordenadora-geral no Brasil dos Estados Gerais das Mulheres, contextualizou a gravidade do problema no país. “O Brasil hoje é o quinto país que mais mata suas mulheres. O Rio Grande do Sul está se mobilizando porque não é possível que a violência contra a mulher e o feminicídio continuem”, declarou.

A coordenadora da CMJDID, Ana Paula Bougleaux, que esteve à frente da organização, emocionou-se ao falar sobre o projeto. “Este banco simboliza toda uma luta. É um marco, um chamado à reflexão, ao respeito e à ação coletiva. Que nenhuma mulher seja esquecida, que nenhuma mulher esteja sozinha”, disse.

Representando a Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar, a soldado Ana Valéria Martins Menezes falou sobre o trabalho diário de proteção. “Atualmente, estamos com aproximadamente 200 acompanhamentos de medidas protetivas de urgência. Nós vivemos isso já há um bom tempo, desde 2012, e o nosso trabalho é incansável”, afirmou.

A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades que compuseram o protocolo oficial, entre elas o diretor do Fórum de Sant’Ana do Livramento, o juiz Felipe Alves de Lacerda Lima; o defensor público Ricardo Carlos Marcodes; a juíza de direito Thaís de Prá; o presidente da subseção da OAB, Cláudio Munhoz; os delegados Adriano Linhares e Giovana Muller; o vereador Márcio Pereira; além de representantes de entidades civis e do governo de Rivera, como a diretora de Gênero, Liliana Piquê.

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