A integração dos serviços de saúde entre o Brasil e o Uruguai na fronteira ganhou um novo impulso e um prazo para avançar. Em audiência pública realizada nesta sexta-feira (27) no Plenário da Câmara de Vereadores de Santana do Livramento (RS), o “Movimento pela Atenção Hospitalar Binacional” reuniu sociedade civil, profissionais da saúde e autoridades para superar as barreiras burocráticas que afetam o atendimento na região.
Presente no encontro, o deputado estadual Jeferson Fernandes (PT) afirmou que há um “clima de acordo” entre os governos para formalizar a cooperação, com a meta de apresentar uma proposta concreta até a segunda quinzena de agosto.
Segundo o parlamentar, o problema, que é antigo, gera situações paradoxais para os moradores da região. “Um morador de Rivera tem que andar, talvez, 600 quilômetros ou mais para procurar um hospital que poderia ter o atendimento aqui”, exemplificou, referindo-se a especialidades oferecidas pela Santa Casa de Livramento. O inverso também ocorre. Pais de Livramento, por vezes, precisam levar seus filhos para atendimento pediátrico em Santa Maria ou Porto Alegre, enquanto o hospital de Rivera possui expertise na área.
As dificuldades, que o movimento busca sanar, vão além do atendimento hospitalar e afetam serviços de emergência e atenção básica. O deputado citou que, por falta de amparo legal, a ambulância do Samu não pode atravessar a rua para prestar socorro no lado uruguaio. Da mesma forma, ações de prevenção, como o combate à dengue, perdem eficácia sem uma atuação conjunta. “Se não tem combinado das equipes dos dois lados, não adianta o lado brasileiro fazer o seu trabalho e o lado uruguaio não faz”, disse Fernandes.
Conforme o material distribuído pelo movimento, a iniciativa nasceu da união de forças da comunidade e tem como compromisso “promover acesso igualitário aos serviços hospitalares” e “valorizar o ser humano acima de burocracias”.
O cenário para que isso ocorra, segundo o deputado, é otimista. Ele destacou que a recente mudança de governo no Uruguai, que assumiu em março, aproximou as autoridades da pauta, com antigos interlocutores do tema ocupando agora cargos de ministros. “O governo uruguaio já decidiu: queremos fazer isso o quanto antes”, afirmou.
Para formalizar a cooperação, foi proposta a criação de uma comissão binacional com a tarefa de elaborar uma minuta de acordo. O cronograma prevê que essa proposta seja apresentada em uma audiência pública do Parlasul (Parlamento do Mercosul) a ser realizada em agosto. A expectativa é que o encontro conte com a presença dos ministros da Saúde do Brasil e do Uruguai. “Quando as autoridades querem, agora a parte técnica eu acho que não vai ter dificuldade”, concluiu Fernandes.






