DEBATE

Fórum binacional debate exploração sexual infantil em cidades de fronteira

Especialistas e forças de segurança do Brasil e do Uruguai reúnem-se em Sant'Ana do Livramento para alinhar estratégias de combate ao crime.

Especialistas, forças de segurança e representantes governamentais do Brasil e do Uruguai reúnem-se nesta terça (29) e quarta-feira (30) para o II Fórum Binacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Sediado na unidade do Sest Senat em Sant’Ana do Livramento, o evento tem como objetivo padronizar os protocolos de atendimento e fortalecer as redes de proteção na fronteira seca.

A diretora da unidade local do Sest Senat, Laura Saraiva, destacou a relevância de sediar um debate que une dois países no combate ao tráfico humano e à exploração sexual. “O Brasil é um país que atua de maneira muito protagonista nessa questão”, afirmou Saraiva, ressaltando o esforço de mais de 20 anos da Childhood Brasil, que gerencia o Programa Na Mão Certa, parceiro estratégico do evento.

Subnotificação e áreas de risco

O encontro aborda a dificuldade de rastrear crimes sexuais na região de fronteira. Segundo a organização do fórum, a exploração sexual no Brasil ainda é amplamente subnotificada. “Mais de 85% dos casos que chegam à polícia estão relacionados à questão intrafamiliar. Mas a exploração sexual ainda fica muito oculta”, explicou um representante do fórum.

Os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em agosto do ano passado, revelam que sete crianças são vítimas de violência sexual por hora no país. No entanto, a subnotificação mascara a realidade de crianças e adolescentes explorados em áreas de grande circulação, como zonas portuárias e cidades de fronteira. A facilidade de atravessar de um país para outro — atraindo turistas e movimentando redes de comércio — torna esses municípios especialmente vulneráveis ao trânsito de exploradores e vítimas.

Rede de proteção integrada

A programação do fórum foi desenhada para promover a integração entre as instituições de ambos os países. A pauta inclui painéis sobre o marco legal, os desafios contemporâneos do tráfico de pessoas e a atuação conjunta de órgãos como a Polícia Federal brasileira, a Brigada Militar e a Polícia Migratória uruguaia.

“A gente sabe que a exploração sexual está conectada à circulação de pessoas”, destacou uma das especialistas presentes no evento. O objetivo central é criar respostas ordenadas que vão desde a prevenção em escolas e famílias até o atendimento a situações de violência. “Tanto na prevenção […] como no atendimento de situações de violência, precisamos garantir que as respostas dadas pelos dois países sejam dadas de forma coordenada”, concluiu.

 

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