EM CRISE ?

Santa Casa suspende parte de cirurgias eletivas por lotação e alta de doenças respiratórias

Unidade pediátrica tem 95% de ocupação, a maioria com crianças não vacinadas, diz diretora

A Santa Casa de Misericórdia de Sant’Ana do Livramento, suspendeu provisoriamente as cirurgias eletivas devido à alta taxa de ocupação de leitos, que atinge 95% na unidade pediátrica e 100% na UTI. A medida visa garantir o atendimento a casos de urgência e emergência, que têm aumentado com a chegada do inverno e a maior incidência de doenças respiratórias.

A informação foi confirmada pela diretora-geral do hospital, Leda Marisa dos Santos, que descreveu um cenário de sobrecarga no sistema de saúde local. Segundo ela, a decisão foi tomada em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde e a procuradoria do município para adequar a capacidade de atendimento da instituição.

“Isso nos levou a decretar e buscar recursos para que a gente consiga minimizar os efeitos desta hiperdemanda sobre a Santa Casa, para que ela consiga bem atender e acolher todos que buscam assistência de urgência e emergência”, afirmou a diretora.

De acordo com Leda, cerca de 40% dos pacientes internados no hospital estão em tratamento por doenças respiratórias ou por complicações em quadros crônicos, como hipertensão e problemas cardíacos, agravadas pelo frio.

Para gerenciar o fluxo, o hospital mantém a triagem de todos os pacientes que chegam ao pronto-socorro. Casos classificados como de baixo risco, identificados pela cor azul, são orientados sobre a possibilidade de um atendimento mais rápido em outras unidades da rede municipal, como o Pronto Atendimento Municipal (PAM).

“A Santa Casa nunca se privará de fazer a ficha do paciente e, inclusive, a triagem”, disse Leda. “Quando a pessoa é classificada azul, ou seja, caracterizado uma consulta eletiva, lhe é oferecida a oportunidade de buscar no PAM um atendimento, muito possivelmente, em menor tempo.”

Adoecimento de equipes e lotação pediátrica

Outro fator que agrava a situação é o afastamento de profissionais de saúde. A diretora relata um “índice importante de adoecimento da equipe”, citando casos de Covid-19, H1N1, conjuntivite e outras doenças respiratórias entre os funcionários.

A situação é particularmente preocupante na pediatria. Com 95% dos leitos ocupados, a unidade atende, em sua maioria, crianças com quadros respiratórios. Leda Marisa dos Santos faz um alerta sobre a falta de imunização neste público.

“A pediatria hoje tem 95% de ocupação, majoritariamente com aspectos respiratórios e majoritariamente com crianças sem vacina”, destacou a diretora, acrescentando que o dado serve de “reflexão” para a comunidade. “A vacina não impede que desenvolvamos a doença, mas faz com que ela tenha o menor impacto sobre a nossa saúde.”

Com a UTI lotada e a alta demanda regional, o hospital enfrenta dificuldades para transferir pacientes que necessitam de cuidados intensivos, já que outras instituições na região enfrentam o mesmo cenário de superlotação.

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