MERCADO

Inadimplência cresce em Sant´Ana do Livramento e preocupa empresários

Com mais santanenses com o nome sujo na praça, comércio terá que buscar alternativas para ajudar consumidores a recuperar crédito para não ver suas contas também fecharem no vermelho

Foto: Ralph Quevedo / Sentinela 24h

Sant´Ana do Livramento tem visto um aumento preocupante na taxa de inadimplência. De acordo com dados recentes, muitos consumidores estão atrasando ou deixando de pagar suas dívidas, o que tem causado sérios problemas financeiros não apenas para os devedores que veem cair o seu acesso e indicam a sua perda de poder de compra, mas para as empresas locais.

Os empresários de Livramento estão expressando sua preocupação com o aumento da inadimplência, pois isso afeta seus lucros e sua capacidade de investir e expandir seus negócios. Além disso, as dívidas não pagas representam uma perda de receita importante para as empresas, o que pode prejudicar seu crescimento a longo prazo. Por outro lado, estão os consumidores que, com o nome sujo na praça, se mostram incapazes de fazer girar com mias força a chamada roda da economia local.

Para lidar com o aumento da inadimplência, muitas empresas estão implementando medidas de controle de crédito mais rigorosas, incluindo uma verificação de antecedentes financeiros dos consumidores antes de conceder crédito. Essa verificação de praxe e necessária, é a que justamente revela os números que deixam assustados lojistas e fazem com que seja ligado o sinal de alerta entre os consumidores.

Em janeiro de 2023, a taxa de inadimplência em Livramento atingiu a marca de 18,70%, um aumento de 0,42 pontos percentuais em relação a janeiro de 2022, quando a taxa era de 18,28%. Este aumento na taxa de inadimplência tem preocupado os empresários da cidade e gerado debates sobre as causas e possíveis soluções para o problema.

Esse aumento na inadimplência pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo a falta de emprego e o baixo poder aquisitivo da população, o que torna difícil para os consumidores pagar suas dívidas. Além disso, a falta de políticas econômicas eficazes e a instabilidade financeira global também têm afetado a economia local.

Os empresários estão preocupados com as consequências desse aumento na inadimplência, pois isso pode prejudicar seus lucros e sua capacidade de investir e expandir seus negócios. Além disso, as dívidas não pagas representam uma perda de receita importante para as empresas, o que pode prejudicar seu crescimento a longo prazo.

“De acordo com os dados que temos recebidos, a inadimplência aumentou não apenas em Sant´Ana do Livramento, mas no Brasil inteiro. Uma das razões é a perda de poder aquisitivo das pessoas que estão se endividando mais, com menos recebimentos, ao mesmo tempo em que tem mais necessidades”, disse o vice-presidente da Acil – Associação Comercial e Industrial de Sant´Ana do Livramento e empresário Raed Shweik. Para ele, o salário não permite que as pessoas comprem mais para acompanhar suas necessidades e isso levou as pessoas a cair na inadimplência. “Agora, as pessoas estão buscando as negociações. Algumas estão buscando novos empréstimos para pagar dívidas antigas e isso se torna ainda mais perigos por que daqui a pouco a coisa vira uma bola de neve. O consumidor que está nessa situação, deve procurar o seu credor e tentar uma negociação”, enfatizou Raed.

O empresário disse que algumas empresas na cidade já estão chamando as pessoas que estão inadimplentes e oferecendo propostas de negociação para torna-las adimplentes para que possam voltar a consumir. “Entre as medidas adotadas está a oferta de juro zero e um novo parcelamento em cima daquele valor devido que já existe. Por exemplo, em uma dívida de R$ 100 (cem reais), se perdoa o juro e se reparcela com parcelas menores. Em vez de tentar cobrar os R$ 100 (cem reais) de uma única vez, a alternativa está sendo oferecer, por exemplo, seis parcelas. Assim ela pode voltar a comprar e ainda pagar as suas dívidas com parcelas bem menores sem juros. Reparcelar o parcelamento é uma forma das empresas poderem receber para não ficar no prejuízo e as pessoas limparem nome. Sabemos que essa situação abala as pessoas e quando elas tem o nome limpo voltam ao mercado com alta estima melhor”, frisou.

Raed disse que todo o sistema é abalado por que quem não consegue pagar afeta inclusive o governo que não tem recursos para investir em melhorias para a própria população já que as dívidas incidem sobre a arrecadação”, disse.

Algumas empresas também estão trabalhando com agências de cobrança para recuperar suas dívidas, enquanto outras estão oferecendo planos de pagamento facilitados para ajudar os consumidores a pagar suas dívidas.

No entanto, essas medidas só irão resolver o problema a longo prazo se as causas subjacentes da inadimplência já abordadas.

Comércio e a perda de fôlego

O índice que mede a confiança do comércio caiu 4,4 pontos em janeiro, para 82,8 pontos, o menor patamar desde março de 2021 (72,5 pontos). Na métrica de médias móveis trimestrais, houve queda de 5,1 pontos, terceira queda seguida. As informações são da sondagem do comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

De acordo com o economista Otto Nogami, além da queda característica de todo início de ano, existem outras questões importantes a serem consideradas que justificam o declínio. “A primeira é o clima de apreensão que a nossa sociedade vive nos dias de hoje. Então todo esse período pós-eleitoral acaba criando uma apreensão muito grande para o consumidor e toda vez que o consumidor tem essa sensação de apreensão, ele normalmente costuma conter seus gastos. Um outro aspecto importante a ser considerado é que a gente não pode esquecer que a sociedade está altamente endividada, como também está inadimplente”, aponta.

Segundo o economista, “a leitura do comércio está no sentido de que a inadimplência faz com que se reduza o poder de compra das famílias e a redução do poder de compra das famílias acaba inevitavelmente impactando sobre o comércio”.

A queda do mês de janeiro foi disseminada em cinco dos seis principais segmentos do setor. Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 8,8 pontos, para 79,9 pontos, menor patamar desde fevereiro de 2022 (78,1 pontos).

Por outro lado, no Índice de Expectativas (IE-COM) houve ligeira melhora pelo segundo mês consecutivo, com variação de 0,4 ponto, para 86,5 pontos.

Segundo Nogami, considerando o comportamento da sociedade, o impacto, inevitavelmente, vai recair sobre o Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, sobre o nível de atividade econômica. “Essa é uma das razões que levam para que as projeções do PIB para 2023 estejam, em um patamar abaixo de 1%”, diz. As perspectivas para o setor de comércio no ano de 2023 são cautelosas, como explica o economista. “Pelas projeções que estão sendo realizadas já desde o ano passado, todos eles sinalizam realmente para o nível de atividade económica relativamente baixa. Então, se tenho essa perspectiva de uma atividade económica relativamente baixa, isso significa dizer que o comércio também terá um comportamento de normal para menos”, explica.

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