
Durante a manhã desta quinta-feira,(31/08), o auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-RS) na Expointer sediou a 70ª reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos. Para se ter uma ideia do potencial do setor, o rebanho nacional de ovinos, em 2021, já ultrapassava 20 milhões de cabeças, e o de caprinos, quase 12 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Promovido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o evento reuniu, de forma híbrida, representantes dos setores público e privado do Brasil e do Uruguai, para tratar de pauta extensa do setor aliando integrantes de associações e sindicatos, da área de segurança pública, produtores, pesquisadores e público interessado.
O atual presidente da Câmara, o caprinocultor pernambucano Pedro Alcântara Martins Junior, destacou cinco eixos fundamentais para o desenvolvimento do setor: a criação de um plano estratégico, a identificação eletrônica do rebanho, a avaliação genética e de produto, a classificação da carcaça de caprinos e ovinos e a criação de um sistema de redução de emissão de gases de efeito estufa.
“Além de prestigiar os ovinocultores e caprinocultores da região sul, as principais temáticas desta reunião extraordinária tratam dos problemas do abigeato e da mosca da bicheira que precisa de uma ação bilateral dos governo do Brasil e do Uruguai”, ressaltou Pedro Martins.
Fiscalização de fronteiras e combate ao crime e ao abigeato foram os destaques apresentados pelo Tenente-Coronel Felipe Costa Santos Rocha, comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE). “Desde o ano passado, a Brigada Militar desenvolve uma operação específica nesta área de campo que é a operação Agro-Hórus, que começou na área de fronteira e que, neste ano, essa metodologia se desenvolveu para todo o Rio Grande do Sul”.
O Tenente-Coronel explicou que o Programa Sentinela, desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e a Operação Agro-Hórus tem ações relacionadas e complementares: “O Sentinela tem mais a ver com a questão sanitária, com o pessoal do Comando Ambiental apoiando a Secretaria de Agricultura, e o Agro-Hórus, com a questão criminal, do contrabando e do tráfico de drogas”.
Outro grande tema da reunião foi o intercâmbio de experiências e a proposta de ações para enfrentar a mosca da bicheira que envolve a participação do Uruguai e do Brasil.
“Como o programa do Uruguai está por começar em breve, é muito importante que estejamos alinhados com eles porque isto vai afetar diretamente o Rio Grande do Sul, inclusive, porque a proposta uruguaia engloba uma área de fronteira de 50 quilômetros pra dentro do Brasil”, avaliou a médica veterinária Nathalia Bidone, coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Ovina (Proeso) da Seapi.
Romeo Volonté, coordenador do programa de controle da mosca da bicheira, do Ministério da Agricultura do Uruguai, explicou como será o processo da erradicação. “Nós temos uma fronteira com cerca de mil quilômetros com o Brasil. A enfermidade da bicheira é uma ameaça transfonteiriça, pois a mosca não conhece barreiras. O que prevê o programa uruguaio é dividir o Uruguai em quatro zonas e ir liberando de sul a norte, em um período que pode chegar um ano em cada zona”.
A reunião contou ainda com a presença do Ministro da Agricultura do Uruguai, Fernando Mattos, que explicou como o programa vai funcionar. “É um programa que tem tido sucesso em nove países. Uma técnica que se desenvolveu a partir da década de 1950 no Estados Unidos. Um sistema de controle biológico através da esterilização da mosca nativa até sua erradicação. Já temos uma agenda de intercâmbio de atividades sanitárias entre ambos os países. Este é só um capítulo a mais. O Uruguai já está decidido política e tecnicamente”, concluiu o ministro uruguaio.
A mosca da bicheira é uma enfermidade parasitária dos animais de sangue quente, causando lesões graves e trazendo muitas perdas para a economia dos países afetados.
Outro tema do encontro foi a apresentação do programa Rotas de Integração Nacional (ROTAS) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
“Umas das cadeias produtivas prioritárias é o fortalecimento da Rota do Cordeiro a partir de uma perspectiva da economia circular. Por exemplo, o trabalho com resíduos aligeirados que visa proporcionar dentro de abatedouros, curtumes e laticínios alguma forma de tratar melhor os dejetos e tornar isso, de fato, proventos e lucros”, elucidou Tiago Araújo, coordenador-geral de Sistemas Produtivos e Inovadores do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).





