
Os agentes redutores de dano têm atuado a serviço da população de Sant’Ana do Livramento desde 2002. Esses profissionais têm como objetivo levar informação e prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) e ao uso de drogas.
Atualmente, cerca de duas mil pessoas são assistidas pelo Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e Drogas (CAPS AD) de Livramento. Entre essas pessoas, há uma média de dez pessoas que frequentam diariamente os espaços terapêuticos oferecidos pelo Centro.
De acordo com o agente Felipe Bittencourt, profissional do CAPS AD há 19 anos, a redução de danos trata-se de uma política de saúde pública. “Esse é um modelo que existe desde a década de 90 e é um programa que tem como objetivo impedir a transmissão de DST’s e uso de drogas”, explica.
Atualmente, o programa está centralizado em serviços de saúde mental e conta com duas composições de equipes atuantes em Livramento. A primeira é composta por cinco agentes redutores de danos e a segunda é composta por técnicos, enfermeiros e psicólogos. “Nós temos apoio de profissionais da psicologia e outros integrantes da saúde também”, pondera Felipe.
No dia a dia, a equipe se organiza para levar informação, testes e prevenção às populações que são consideradas mais vulneráveis na cidade. É o caso de vilas afastadas, caminhoneiros, casas noturnas e adolescentes. Conforme os profissionais, há alguns anos a equipe também atuou dentro da Penitenciária Estadual de Sant’Ana do Livramento (PESL), mas após mudança na direção da unidade prisional, o trabalho foi descontinuado.
De acordo com a agente redutora Katia Pimentel, os trabalhos consistem em dois eixos: a prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e o uso de álcool e outras drogas. “Nós fazemos muitos trabalhos em campo. Vamos às ruas e levamos a prevenção, testes rápidos e informação sobre as doenças e drogas”, explica.
Para a agente redutora Ana Paula Vieira, esse trabalho é fundamental, pois, muitas das vezes, acaba-se percebendo outros problemas de saúde. “Às vezes, identificamos outras situações nessa população e encaminhamos essas pessoas, que não tem muito acesso, aos devidos profissionais”, diz.
De acordo com os profissionais, os serviços são adaptados à realidade de cada grupo e a intenção é que as pessoas passem a se interessar sem que, necessariamente, seja algo obrigatório. “No presídio, por exemplo, em meados de 2011, os agentes organizaram palestras e eventos, como futebol e ioga, para facilitar a comunicação. “Fizemos um trabalho fantástico com eles e pretendemos voltar agora”, diz Felipe.
USO DE DROGAS
“A redução de danos é para quem não quer e não consegue parar de usar drogas”. Assim elucida Felipe sobre os trabalhos realizados pelos agentes. Essa frase pode parecer contraditória, mas, segundo o profissional, o objetivo é que o usuário se familiarize com a ideia de parar de usar as drogas.
Depois que essa primeira barreira é rompida, os agentes podem ter uma maior liberdade e confiança para ajudar melhor. “Nós damos todas as ferramentas. Tratamento, desintoxicação hospitalar e os grupos que são feitos no CAPS”, diz.
Dessa mesma maneira, são feitos os tratamentos no Centro de Atenção Psicossocial Álcool Drogas (CAPS AD). Segundo Felipe, a intenção é que o usuário se sinta acolhido no ambiente. “O CAPS oferece tratamento em liberdade, então o usuário pode escolher ou não estar ali”.
Atualmente, segundo os agentes, as drogas mais usadas hoje na cidade, depois do álcool, são o crack, as drogas sintéticas e a bala. “Você pode achar que essas drogas estão entre as pessoas com maior poder aquisitivo, mas já identificamos o uso por alunos de escolas da periferia da cidade”, revela.
SERVIÇO
Para ser atendido pelos redutores, basta ir ao CAPS. Não é necessário encaminhamento e o serviço funciona de segunda a quinta, das 8h às 16h30. O CAPS está localizado na rua João Manuel 277, próximo à Praça Artigas, o telefone de contato é (55) 39681104.
Texto: Anthony Teixeira
Edição: Murilo Alves







