
A manifestação cobrando respostas para o problema do transporte escolar deixou o plenário João Goulart da Câmara Municipal de Vereadores e terminou em uma audiência entre manifestantes, a Prefeita Ana Tarouco, a presidente estadual do Cpers Helenir Aguiar Schürer, vereadores, pais, professores e alunos. Em marcha, o grupo deixou a Câmara e se dirigiu até a sede da 19ª CRE com a esperança de conversar sobre o tema com a coordenadoria. Como não foram recebidos, decidiram então ir até a Prefeitura para tratar do tema com a prefeita municipal. Depois de alguns minutos de espera enquanto Ana Tarouco participava de um outro ato, o da entrega da emenda parlamentar do deputado Elvino Bohn Gass para a implantação do Castramóvel, uma comissão foi escolhida para ingressar no prédio e participar do encontro.
Logo em sua fala inicial, a Prefeita Tarouco disse que a pessoa certa para falar sobre o tema seria a ex-secretária municipal de Educação, Sandra Pontes, uma vez que a mesma foi a responsável pela decisão de não renovação do convênio entre o município e o estado, o chamado PEATE que, em tese, teria sido a causa do transtorno evidenciado agora e que compromete desde já o início das aulas nas escolas do interior do município pela falta de transporte. Ana Tarouco disse ao grupo que o município não pode assumir uma responsabilidade que não é sua, mas do Estado. “Essa pauta precisa ser debatida com a 19ª Coordenadoria Regional de Educação, e não com a Prefeitura Municipal. A um ano atrás avisamos que não renovaríamos o convênio por que o Estado não assume um problema que é seu, ou seja, houve tempo suficiente para que fosse apresentada uma solução por parte do órgão competente, e não foi”, afirmou ela. Sandra Pontes disse que ela foi a responsável pela recusa em não renovar o convênio por que o Estado alega que não pode se responsabilizar pelo transporte dos professores ao mesmo tempo que transfere a responsabilidade para o município que, em tese, estaria incorrendo em uma ilegalidade. “Já encaminhamos uma denúncia ao Ministério Público comprovando que pedimos diversas vezes a documentação necessária para 19ª CRE e não tivemos respostas em tempo hábil. É preciso que fique bastante claro que não temos ingerência sobre uma situação que precisa ser resolvida pelo Estado, e não pela Prefeitura”, destacou a atual chefe de gabinete da Prefeita Municipal.
A presidente estadual do Cpers pediu durante o encontro cópia dos documentos que foram encaminhados pela Prefeitura ao Ministério Público para levar até o Departamento Jurídico do sindicado e, na sequência, cobrar respostas por parte da Secretaria Estadual de Educação. “Entendo que precisamos construir a resposta para essa situação juntamente com a Assembleia Legislativa. Essa situação não pode mais se repetir e está mais do que na hora de travarmos essa batalha juntos pelo bem da educação. Essa é apenas mais uma prova que o governo do Estado está nos dando de que quer fechar as escolas do campo e isso é inadmissível”, afirmou
A prefeita Ana Tarouco sugeriu durante a audiência que teve ainda a presença dos Vereadores Leandro Ferreira e Eva Coelho, a decretação de uma situação de emergência, o daria uma novo caminho para o estado dispensar o processo de licitação e contratar transporte para levar alunos e professores até as escolas da zona rural. Ao falar diretamente aos pais, Ana Tarouco disse que essa seria uma solução paliativa, e que a longo prazo não resolveria o problema. “Estou aqui sugerindo algo que podemos fazer para que o Estado entenda que eles também pode fazer algo. Mas veja bem, ainda assim, estamos falando de um processo que pode levar de 30 a 50 dias, ou seja, ainda assim teremos atraso até que possamos ter aulas transcorrendo normalmente”, afirmou ela.
Ao final do encontro, os representantes voltaram a se reunir com o restante do grupo que aguardava as respostas do lado de fora, na Praça General Osório. A presidente do Cpers e demais representantes deliberaram pela possibilidade da ida do grupo até a capital do Estado no dia 16 de março quando está prevista uma paralisação nacional dos profissionais da educação e aproveitar o momento para cobrar os parlamentares gaúchos uma solução mais rápida para o problema.






