
“Esse tipo de crime é horroroso, asqueroso. Esse é um caso gravíssimo envolvendo um indivíduo que a anos vem atuando na comunidade”. A frase foi dita na tarde desta quarta-feira durante entrevista coletiva concedida pela delegada titular da 1º Delegacia de Polícia Civil, Giovana Muller.
De acordo com a investigação, até agora são pelo menos onze casos de abuso sexual atribuídos ao mesmo autor, um homem que reside na região rural de Sant´Ana do Livramento e que pratica esse tipo de crime a pelo menos trinta anos. O caso veio à tona depois que uma menina resolveu contar para a mãe e a mesma tomou as providências. A mãe resolveu contar o caso para uma professora da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – Uergs que fez na sequência contato com a polícia Civil. Foi feito o registro e médico perito constatou a conjunção carnal que havia sido mantida entre o homem e a criança que tem atualmente dez anos de idade. “Desde a uns dois ou três anos atrás a menina vinha sendo abusada por uma pessoa próxima. A partir desse casos, outras denúncias começaram a aparecer todas identificando o mesmo suposto autor”, disse a delegada.
Até o momento, de acordo com a polícia civil, o número de meninas que foram abusadas é de onze. Boa parte delas já atingiu a maior idade. “Com base no apoio das mães da referida comunidade que revoltaram com essa situação, conseguimos colher outros depoimentos”, disse a delegada. Giovana Muller destacou ainda que o homem já respondeu a um inquérito por tentativa de estupro. Foi denunciado e este ano já há uma ação penal contra o mesmo. “Nós representamos pela prisão preventiva e pela expedição de um mandado de busca por que temos a notícia de que o mesmo possui arma em casa mas, houve o indeferimento por parte do judiciário com base em motivos técnicos. Esse indeferimento foi pautado pelo fato de os abusos não serem recentes e, de fato, o último abuso ocorrido, no caso desta criança, foi a pelo menos dois anos”, disse ela. Giovana Muller disse ainda que na argumentação se fundamentou com base na probabilidade da reiteração delitiva.
A delegada disse que a força das vítimas e o apoio dos familiares que fizeram as denúncias tem precisa ser destacado. “O fato de não ter saído a prisão não significa que o mesmo não vá responder à justiça. O crime causou revolta e as manifestações deverão seguir ao longo dos dias incluindo uma manifestação prevista para acontecer na próxima segunda-feira.
Cortes para suportar a dor
“É inadmissível que ainda tenhamos que atuar nesse tipo de crime. Em um dos depoimentos, uma das meninas relatou que se auto mutilava com cortes nos braços para suportar o que estava vivendo e sofrendo. Isso é absurdo. Crianças se adolescentes não podem mais se sujeitar a esse tipo de crime. Não é possível mais”, disse a delegada. Giovana Muller disse que existem outras vítimas que poderão ainda vir a se manifestar. Ela disse ainda que esse indivíduo pratica esse tipo de crime praticando esse tipo de crime a pelo menos trinta anos. “Somente agora isso está vindo à tona por que essas meninas se sentiram encorajadas para contar o que aconteceu”, disse ela. O abusador, de acordo com a investigação e pelos depoimentos colhidos, ainda ameaçava as vítimas para que não contassem o que estava acontecendo.
Casos que não param de acontecer
De acordo com o Conselho Tutelar de Sant´Ana do Livramento, são pelo menos de 15 a 20 denúncias que chegam ao órgão todos os meses. Esses dados tem se mantido assim, segundo o Conselho, já a um bom tempo e aumentaram ainda mais durante a pandemia com a proximidade entre abusadores e vítimas. Consultado pela reportagem da Lince Comunicação, o Conselho Tutelar em Sant´Ana salienta que desde o início do atual mandato das conselheiras, sempre houve a percepção e acolhimento de denúncias de casos de supostos abusos ocorridos na cidade
Desse caso específico apenas duas meninas são menores de idade e as demais já são maiores. Elas foram conversando e as reações foram se dando em cadeia. Alguns dos abusadores são os próprios pais ou padrastos, ou ainda pessoas próximas e identificadas com as famílias pelo convívio frequente na mesma casa ou ambientes em comum.
A rede está estendida, e atuante
De acordo com Marta Almeida, Coordenadora do PIM – Primeira Infância Melhor em Livramento, o trabalho do órgão é incessante na prevenção. “Por vermos tantos casos de abusos sexuais contra crianças, viemos já a dois anos trabalhando diretamente com elas sobre esse assunto. Vemos tantas campanhas feitas para homens e para profissionais sobre o não fazer mas, pouco vemos ações voltadas para a prevenção. Trabalhamos com elas ensinando a se proteger e a denunciar. Estamos trabalhando de maneira lúdica com as crianças sobre isso e a cada palestra em um simples teatro percebemos que elas entendem. As crianças conseguem identificar o que é essa situação de abuso. É somente através da educação preventiva que vamos conseguir reduzir esses números. Algumas que já passaram por isso, ou ouviram, nos fazem esse relato”, disse ela. Ainda segundo Marta, o abusador vai continuar repetindo, a não ser que faça algum tipo de tratamento ou seja preso. Ela diz que para reduzir os casos, a saída está na educação por que muitas vezes a criança não sabe que está sendo vítima por ser manipulada pelo adulto abusador e, assim, não consegue romper o ciclo. “Quando elas descobrem que são donas do próprio corpo e que tem voz para falar, as coisas melhoram. Infelizmente precisamos falar sobre isso por que é um tema que não se esgota e que está longe de terminar”, explicou





