ALERTA

Alerta ligado para casos de Leishmaniose em Sant´Ana do Livramento

Desde 2018, a cidade já registrou 23 casos e os números preocupam as autoridades de saúde já que o município não possui convênio para a realização da eutanásia, medida necessárias nesses casos

O Secretário Municipal de Saúde de Sant´Ana do Livramento, Paulo Vargas, participou de reunião com a comissão de Saúde da Câmara Municipal de Vereadores para esclarecer pontos importantes sobre o combate e prevenção aos casos de Leishmaniose registrados na cidade.

Paulo Vargas explicou que órgãos como as vigilâncias sanitárias e de saúde, trabalham no sentido de prevenir e a alguma tempo já estão sendo mantidos diálogos com os gestores a respeito do tema.

Durante o encontro, o secretário da Saúde explicou que a confirmação de casos de Leishmaniose na cidade não está relacionada com a presença do mosquito palha, vetor da doença. Segundo ele, foram instaladas 286 armadilhas pelos técnicos da Vigilância e as amostras coletadas não detectaram a presença do inseto. “Ainda antes da Pandemia a Vigilância estadual forneceu treinamento para todos os veterinários da cidade para que estes pudessem identificar possíveis casos em Livramento, uma vez que, naquele período, havia dúvida sobre os casos encontrados serem de sarna ou leishmaniose. A partir daí, com treinamento, também identificamos casos mas, de cães que foram adquiridos de canis com sede em outras cidades e, como a mãe transmite a doença aos filhotes, hoje sabemos como a doença provavelmente tenha chegado aqui”, esclareceu.

Paulo Vargas disse que algumas ações e regramentos tem sido desenvolvidos juntamente com algumas famílias proprietárias de cães. O secretário fez questão de frisar que o trabalho preventivo tem sido feitas para que casos mais graves não sejam registrados em Sant´Ana do Livramento.

Atualmente, a situação real da cidade tem 11 amostras de cães que estão em análise no Lacen – Laboratório Central do Estado, e 121 amostras que deram negativos. São 23 cães que positivaram desde 2018 e 07 com opção de tratamento. “Cabe frisar que o dono do cão tem duas opções: eutanásia ou tratamento, embora a segunda seja bastante cara. A Lei manda realizar a eutanásia mas, o desenvolvimento é muito rápido no cão e também no ser humano. Temos 04 cães que foram eutanasiados e cabe salientar eu há um problema sobre isso na cidade, além de seis cães que chegaram muito ruins e acabaram morrendo”, disse.

O secretário da Saúde ainda destacou que muitas pessoas não tem o recurso para realizar a eutanásia já que o custo é alto. O secretário disse que havia a um tempo atrás recurso e local para fazer mas, alguns profissionais não se sentem à vontade para realizar o procedimento. Cabe salientar que essa doença pode se proliferar muito rápido.  Paulo Vargas destacou que quando resultado é positivo não adianta apenas o dono enterrar e não comunicar. “Fazer o comunicado é extremamente importante por que a responsabilidade é da Secretaria Municipal da Saúde”, afirmou.

Para Paulo Vargas, a opção da eutanásia é complicada por que a cidade não tem onde fazer. Ele disse que a um tempo atrás havia recurso para fazê-lo, o que atualmente não há mais. “Fazer o tratamento do cão ou optar pela eutanásia é uma responsabilidade dos veterinários. “Hoje rizemos um processo de licitação mas não tivemos um retorno dos veterinários então para esses cães que estão para serem eutanasiados as famílias não tem recurso e não temos retorno dos profissionais para que possamos contratá-los. Cabe frisar que se a situação sair do controle podemos entrar em um fase bem crítica. Temos leis para cumprir por que o procedimento é bem grande”, disse ele ao citar que há em cada veterinária uma ficha para identificação que precisa ser preenchida corretamente e, somente a partir daí essa amostra passa para a vigilância. Pela Lei, nos bairros onde foram registrados casos positivos, é necessário fazer a coleta em outros animais também para saber se há a presença do mosquito palha que é o vetor da doença. Ainda de acordo com o secretário municipal de Saúde, os médicos que atuam nas unidades básicas de saúde tem recebido informações sobre como diferenciar os sintomas especialmente nos casos de zoonoses. Durante a reunião, o Vereador Romário Paz (MDB) relatou a experiência vivida com um dos seus cães que testou positivo para a doença. Romário disse que o tratamento atualmente o oferecido tem um custo de aproximadamente R$ 15 mil reais e o município não possui convênio para que seja realizada a eutanásia.

Na região, cidade de Santa Maria já possui cinco óbitos de seres humanos em função da doença que é de difícil diagnóstico e comumente é confundida com Leucemia.

Saiba mais

A leishmaniose visceral é uma doença parasitária transmitida pela picada do mosquito-palha. A presença do vetor permite a transmissão de um cão infectado para outro cão ou para o ser humano. Por isso, para evitar a proliferação do mosquito, é preciso que as pessoas mantenham seus quintais livres de sujeira e materiais orgânicos.

Prevenção: Cuidar do ambiente interno e externo das residências mantendo-o limpo é uma das principais formas de evitar a presença do mosquito transmissor da leishmaniose visceral. A limpeza inclui recolher as fezes dos animais diariamente, embalar o lixo de forma correta e não jogar ou deixar folhas e resíduos orgânicos no terreno. Ao contrário do Aedes aegypti, que se reproduz em água limpa ou suja, a reprodução do mosquito-palha acontece em ambientes úmidos, em matéria orgânica podre e em fezes de animais (cães e galinhas, por exemplo).

Sintomas da doença

-No animal: Os sintomas nos animais são emagrecimento, fraqueza, queda de pelos, descamação, crescimento exagerado das unhas, feridas no focinho, orelha e patas.

-No ser humano: Os principais sintomas da leishmaniose em humanos são febre intermitente (febre que “vai e vem”) com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios, diarreia, sangramentos na boca e nos intestinos.

 

Autor:
Compartilhe: